🔬 Pesquisa Acadêmica • 337 mães

Mães e seus
Múltiplos Papéis

Como os padrões de pensamento afetam a saúde mental de mulheres que acumulam múltiplos papéis — mãe, profissional, dona de casa, filha, cuidadora e muito mais.

Camila Rafael Salgado de Assis Profa. Dra. Olívia Dayse Leite Ferreira

O que essa pesquisa quis descobrir?

De forma simples: ela quis entender se a maneira como uma mãe pensa tem relação com o quanto ela sofre psicologicamente ao acumular tantos papéis na vida.

O Problema

As mulheres modernas acumulam funções — cuidam dos filhos, trabalham fora, gerenciam a casa…

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O Problema

Essa sobrecarga de papéis é estudada há décadas. O grande enigma: por que algumas mulheres adoecem e outras não? A resposta pode estar na mente, não na quantidade de tarefas.

A Hipótese

A pesquisa partiu da ideia de que pensamentos negativos podem ser o elo entre papéis e sofrimento.

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A Hipótese

Com base na Terapia Cognitiva de Beck, a pesquisa hipotetizou que crenças rígidas como "preciso ser perfeita" ou "não posso pedir ajuda" mediam o caminho entre os papéis e o adoecimento.

O Método

Questionários científicos aplicados em 337 mães adultas para medir pensamentos e sofrimento.

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O Método

Pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva. Foram usados 3 instrumentos: Questionário Sociodemográfico, a DAS (pensamentos) e o SRQ-20 (saúde mental). Análise estatística com correlação de Pearson.

A Importância

Entender esse mecanismo pode ajudar psicólogos, políticas públicas e as próprias mães.

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A Importância

Com esse conhecimento, é possível criar intervenções mais eficazes — terapias, grupos de apoio, políticas de licença — que abordem não só o excesso de tarefas, mas a forma como as mães pensam sobre si mesmas.

Pensamentos que muitas mães têm — mas não falam em voz alta

A pesquisa identificou padrões de pensamento muito comuns. Deslize para reconhecer algum:

Perfil das 337 mães da pesquisa

Clique nas abas para explorar diferentes aspectos do perfil das participantes:

💡 Insight

A maioria das participantes está na faixa de 26 a 45 anos — a fase da vida com maior acúmulo de papéis: criação dos filhos, crescimento na carreira e, muitas vezes, cuidado de pais idosos.

💡 Insight

Mães com maior escolaridade apresentaram, em média, pontuações menores na escala de pensamentos disfuncionais — sugerindo que a educação pode ser um fator protetor para padrões de pensamento mais flexíveis.

💡 Insight

73% das mães exerciam alguma atividade remunerada. Porém, trabalhar fora isoladamente não determinou maior sofrimento — o que pesou foi a combinação com padrões de pensamento disfuncionais.

💡 Insight

Mães solteiras ou divorciadas tendem a acumular ainda mais papéis sem suporte de parceiro, o que pode intensificar a percepção de sobrecarga e os padrões de pensamentos autocríticos.

2,1 média de filhos por mãe
73% trabalhavam fora de casa
4+ papéis simultâneos na média
337 mães participantes

O que são os "múltiplos papéis"?

Ser mãe é apenas um dos muitos chapéus que as mulheres usam todos os dias. Clique em cada papel para entender seu impacto.

👩 Mulher

🍼 O Papel de Mãe

É o papel central da pesquisa. Envolve cuidar, educar, nutrir e amar os filhos — e também lidar com a pressão social da "boa mãe".

100% das participantes identificaram esse como seu papel principal

💼 O Papel Profissional

Trabalhar fora traz identidade, renda e realização — mas também cobranças de desempenho que podem intensificar padrões perfeccionistas.

73% das participantes exerciam atividade remunerada

🏠 O Papel de Gestora do Lar

Organizar a casa, cozinhar, limpar, fazer compras — tarefas frequentemente invisíveis que consomem tempo e energia significativos.

Invisível mas presente em praticamente todas as participantes

💞 O Papel de Parceira / Esposa

Ser companheira, manter a relação afetiva e sexual, mediar conflitos. Muitas vezes preterido diante das demandas dos outros papéis.

62% eram casadas ou em união estável

👵 O Papel de Filha / Neta

Cuidar emocionalmente ou fisicamente dos próprios pais e avós — um papel que se intensifica conforme a geração mais velha envelhece.

Geração sanduíche: cuida dos filhos e dos pais ao mesmo tempo

🤲 O Papel de Cuidadora

Cuidar de pessoas com necessidades especiais, idosos dependentes ou doentes crônicos — um papel que consome recursos emocionais profundos.

Alto impacto emocional associado a esgotamento

⚔️ Teoria do Conflito de Papéis

Acumular muitos papéis gera sobrecarga — energia, tempo e atenção são recursos limitados, e quando a demanda ultrapassa a capacidade, o bem-estar cai.

🔴 Múltiplos papéis → conflito de demandas → estresse → sofrimento

🌱 Teoria da Expansão de Papéis

Múltiplos papéis também podem ser fontes de significado — cada papel traz identidade, suporte social e autoestima, o que pode ser protetor da saúde.

🟢 Múltiplos papéis → mais identidade → mais suporte → proteção

O que a pesquisa mostrou: o número de papéis isoladamente não é o problema. O que faz diferença é como a mãe pensa sobre si mesma ao desempenhar esses papéis. Uma mãe que pensa de forma rígida e autocrítica sofre mais, independentemente de quantos papéis acumula.

Quantidade de Papéis Acumulados pelas Participantes

O que são pensamentos disfuncionais?

A pesquisa usou a Escala de Atitudes Disfuncionais (DAS) para medir pensamentos que, mesmo sem a pessoa perceber, podem causar sofrimento.

O que é a DAS?

A Escala de Atitudes Disfuncionais (DAS) foi criada por Aaron Beck — o pai da Terapia Cognitiva — para identificar padrões de pensamento rígidos e negativos que distorcem a forma como a pessoa vê a si mesma e o mundo.

Quanto maior a pontuação, mais a pessoa tende a pensar de forma disfuncional — e mais ela está em risco de sofrimento psíquico.

Clique em cada fator para entender em profundidade

01

Aprovação

Preciso ser aprovada por todos para me sentir bem.

Média: 28,4
02

Perfeccionismo

Tenho que fazer tudo perfeitamente.

Média: 34,7 🔺
03

Controle

Preciso ter controle total sobre tudo.

Média: 25,1
04

Vulnerabilidade

O mundo é perigoso e algo ruim pode acontecer.

Média: 22,8
05

Dependência

Não consigo me virar sozinha.

Média: 18,6
06

Sacrifício

Devo me dedicar aos outros acima de tudo.

Média: 32,9 🔺
07

Autonomia

Pedir ajuda é sinal de fraqueza.

Média: 20,3

Pontuação Média por Fator da DAS

Quanto maior a barra, mais presente esse padrão de pensamento nas participantes. 🔺 indica os fatores mais elevados.

Como foi medido o sofrimento psíquico?

A pesquisa usou o SRQ-20 — instrumento da OMS para rastrear transtornos mentais comuns.

O que é o SRQ-20?

O Self Reporting Questionnaire (SRQ-20) foi desenvolvido pela OMS e é amplamente usado em pesquisas de saúde pública. São 20 perguntas com Sim/Não sobre sintomas das últimas 4 semanas.

≥ 8 respostas "Sim" = suspeita de sofrimento psíquico

Arraste para simular o nível de sofrimento psíquico

8 / 20 respostas "Sim"
⚠️ Ponto de corte — suspeita de sofrimento psíquico
0 — Sem sintomas 8 — Ponto de corte 20 — Máximo

Os 4 grupos de sintomas medidos pelo SRQ-20

Sintomas Somáticos

Dores de cabeça, tremores, má digestão, falta de apetite, sensação de mal-estar físico.

5 perguntas

Humor Ansioso-Depressivo

Nervosismo, tensão, tristeza, choro fácil, dificuldade de sentir prazer.

6 perguntas

Declínio de Energia

Cansaço constante, dificuldade de pensar com clareza, problemas para decidir e agir.

5 perguntas

Humor Depressivo

Pensamentos de inutilidade, perda de interesse em atividades que antes davam prazer.

4 perguntas

Proporção com Suspeita de Sofrimento Psíquico

Ponto de corte: 8 ou mais respostas positivas no SRQ-20

Sintomas Mais Relatados

% de mães que responderam "Sim" a cada sintoma

O que a pesquisa descobriu?

Após analisar os dados de 337 mães, emergiram achados importantes. Clique em cada descoberta para ver detalhes.

01

Pensamentos disfuncionais têm relação direta com sofrimento psíquico

Quanto maior a pontuação na DAS (mais pensamentos disfuncionais), maior a pontuação no SRQ-20 (mais sintomas de sofrimento). Essa correlação foi estatisticamente significativa.

↑ Pensamentos disfuncionais (DAS) ↑ Sofrimento psíquico (SRQ-20)

Essa é a descoberta central da pesquisa e embasamento para intervenções cognitivas no cuidado com mães.

02

Perfeccionismo e Sacrifício foram os fatores mais elevados

Entre os 7 fatores da DAS, Perfeccionismo (34,7) e Sacrifício (32,9) obtiveram as maiores médias — revelando que muitas mães acreditam que precisam ser perfeitas e se anular para ser "boas mães".

Perfeccionismo
34,7
Sacrifício
32,9
Aprovação
28,4
03

Quase metade das mães apresentou sinais de sofrimento psíquico

43,6% das participantes — quase 1 em cada 2 — atingiu ou ultrapassou o ponto de corte do SRQ-20 (≥ 8), indicando suspeita de transtorno mental comum como ansiedade ou depressão.

147 das 337 mães apresentaram suspeita de sofrimento psíquico
04

Trabalhar fora sozinho não determina o sofrimento

Mães que trabalhavam fora e as que não trabalhavam não apresentaram diferença estatisticamente significativa nos níveis de sofrimento psíquico quando consideradas isoladamente.

O que pesou foi a combinação de papéis + pensamentos disfuncionais — não apenas o trabalho em si.

05

Escolaridade tem relação com padrões de pensamento mais saudáveis

Mães com maior nível de escolaridade apresentaram, em média, pontuações menores na DAS, sugerindo que a educação pode ser um fator protetor para pensamentos mais flexíveis e adaptativos.

Isso reforça a importância de investir em educação — inclusive educação emocional — como política de saúde mental.

Relação entre Pensamentos Disfuncionais e Sofrimento Psíquico

Cada ponto = uma participante. A linha vermelha mostra a tendência de correlação positiva.

Escores DAS: quem trabalha vs. quem não trabalha fora

Comparação dos fatores de pensamentos disfuncionais por situação de trabalho

Você se reconhece nesses padrões?

Este quiz é educativo e não diagnóstico. Ele usa afirmações baseadas nos fatores da DAS para ajudar você a refletir sobre seus próprios padrões de pensamento.

Pergunta 1 de 7

O que essa pesquisa nos ensina?

Além dos números, a pesquisa traz mensagens importantes para mães, famílias, profissionais de saúde e para a sociedade.

🧩

O problema não é ter muitos papéis

A questão central não é acumular funções — é a forma como a mulher pensa sobre si mesma enquanto as desempenha. Pensamentos rígidos e autocríticos são os verdadeiros vilões.

🛡️

Pensamentos podem ser mudados

A boa notícia da Terapia Cognitivo-Comportamental: padrões disfuncionais podem ser identificados e modificados com ajuda profissional — e isso muda a saúde mental para melhor.

🤝

Pedir ajuda é sinal de força

Um dos padrões mais encontrados foi crer que pedir ajuda é fraqueza. Mas a pesquisa mostra o oposto: aceitar apoio é um comportamento protetor da saúde mental.

🏥

Saúde mental materna precisa de atenção

Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas e serviços de saúde voltados ao bem-estar das mães — não só durante a gestação, mas em todas as fases da maternidade.

🎓

Educação como proteção

A escolaridade se associou a pensamentos mais flexíveis. Investir em educação — inclusive educação emocional — é também investir em saúde mental.

💬

Falar sobre isso importa

Pesquisas como essa ajudam a tirar o sofrimento materno do silêncio. Reconhecer, nomear e estudar esse sofrimento é o primeiro passo para combatê-lo.

Se você se identificou com algo aqui…

Reconhecer padrões de pensamento que causam sofrimento é o primeiro passo. Se você sente que esses pensamentos estão presentes na sua vida, buscar apoio psicológico pode fazer uma grande diferença.

CVV — Centro de Valorização da VidaLigue 188 (24h, gratuito)
CAPS — Centro de Atenção PsicossocialAtendimento gratuito pelo SUS